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sábado, 18 de junho de 2011

Depois de ti

" O acidente nunca viria a ser explicado. Não havia nada a explicar. Morrera e nada mais do sucedido interessava. O carro seguiria para a sucata, as protecções da estrada seriam reconstruídas e o assunto forçosamente esquecido. Nunca saberia para quem foram os seus últimos pensamentos, os seus últimos sonhos ou ambições, ou que palavras proferira sozinho antes de o carro embater. Nada interessava. A única coisa que sabia era que morrera.".  



Li um livro. Terminei-o em poucos dias, não sei precisar o tempo, mas que me prendeu à sua leitura pelo simples facto de retratar o último ano da minha vida. Vi-a escrita. Não é a minha história, mas podia mto bem sê-lo. O que fica é bastante idêntico, mesmo. 



"Quis pegá-lo na mão e trazê-lo à rua, acariciar a pele do seu rosto e olhá-lo bem nos olhos. Quis sentir o toque da sua pele, a vibração produzida pela sua voz que sentia sempre que encostava a cabeça no seu peito, o cheiro do seu pescoço e a maciez do seus lábios. Quis olhá-lo. Quis gastar tempo com ele. Chamei o seu nome, mas ele nunca mais voltaria a aparecer.".

"Penso que a principio nem me apercebi do que se tinha passado. E toda a gente me dizia que era assim. Já tinha ouvido as pessoas a lamentarem-se de quando se apercebem de que perderam alguém essencial nas suas vidas, não me fazia diferença ver as suas coisas. Não era o facto de ele não estar lá que me incomodava, mas o facto de que ele nunca mais voltaria a estar. Nunca mais o veria sorrir.  O presente não me incomodava, eu podia passar uns dias sem ele, mas nunca uma vida sem que estivesse a meu lado.".


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