Porque escrever é uma terapia e partilhá-lo também.



quarta-feira, 29 de março de 2017

Uns segundos e uma sopa quente

Foi na segunda feira que tudo aconteceu. Há semana e meia já. E agora acho que as palavras já fluem.
Chamei o Lucas e o pai para virem jantar enquanto punha a sopa acabada de fazer nos pratos, em cima da mesa.
Costumo pôr a sopa do Lucas na janela para arrefecer, porém ele andava numa de comer primeiro o 2prato e deixei na mesa, supostamente longe dele.
Enquanto o pai tirava os babetes e eu partia uma pêra, ele puxou o prato da sopa, entornou por cima dele e o silêncio fez-se durante uns segundos na cozinha.
Ao mesmo tempo que eu disse... está quente ele desatou aos gritos.
Um sufoco completo, pois ele já estava preso na cadeira, o pai puxava-o para cima, eu não conseguia tirar o cinto...

Finalmente banheira com ele. Água fria. Roupa tirada. E...bolas as coxas muito vermelhas. Queimadas.

Acalmei-o com todo o meu abraço enquanto o Pedro lia sobre o que fazer nestes casos. Decidimos ir ao hospital.
Foram momentos horríveis, de grande angústia. Uma queimadura feia, de 2 grau e na minha cabeça os gritos dele ecoavam sem parar. Ele deixou de falar e não tirou mais a cara dele bem na minha, completamente enroscado no meu colo.

No hospital foram todos impecáveis, desde a recepção, às enfermeiras até à médica. 5 estrelas mesmo. Curativo, ligadura e fomos para casa.

Para além de toda a preocupação óbvia também estava preocupada por ele não falar e se teria ficado traumatizado com as refeições.

Mais uma vez ele mostrou-se um menino enorme :) de enorme encaixe, de uma maturidade para a idade dele brutais, de uma compreensão fantástica. Não só falou, como comeu. Comemos todos no sofá com muita calma e brincadeira. Dormiu tranquilo. Eu não!! Tudo me passava em loop na cabeça. No dia seguinte com muita calma sentou-se na cadeira e tomou o pequeno almoço. O meu medo que pudesse ter ficado traumatizado passou. Felizmente :)

As imagens, os gritos dele e a nossa angústia e agonia. Essas não me saiam da cabeça. Grávida de 39 semanas. Fiquei com ele a semana toda. Mimoca como é óbvio, depois de tudo o que passou.

Aprendi que comida em cima da mesa só na temperatura ideal para se comer. Valeu o valente susto.
Fica o alerta para todos vocês. Bastam uns segundos..

Tudo está a sarar bem...a ferida e a minha forma de lidar com o sucedido.

sábado, 11 de março de 2017

Pára tempo, pára

Ambíguo?! Sim, muito!

Se por um lado quero conhecê-lo, por outro quero que o tempo demore a passar. Se há uns meses atrás dizia "estou farta, isto de estar grávida é super desconfortável", agora digo, pára tempo, pára. Sim, eu sou daquelas mulheres que não acha assim tanta graça a isto de estar grávida (aos desconfortos inerentes).
Não sei se mais alguma vez voltarei a estar assim!! Talvez seja a última vez que tenho uma vida dentro de mim a crescer, a saltitar, a esticar-me a pele...
Na primeira gravidez não senti nada desta nostalgia. Sabia que um dia devia passar por tudo novamente. Só queria conhecê-lo.
Agora não. Sinto que pode ser a última vez e, já estou cheia de saudades. Com a correria do dia a dia, o tempo passou a voar. Caminho para as 38 semanas. Sim já. Daqui a uns dias está cá fora. A barriga vai. O movimento aqui dentro também. A vontade eterna de fazer xixi. O desconforto para dormir. A roupa que não serve. Mas desta vez sei que vou ter saudades disso...

quarta-feira, 8 de março de 2017

Diversão na cozinha

Ainda não vos tinha contado.
No sábado fui a um workshop de introdução ao método montessori. E vim de lá fascinada.
Já conhecia um pouco do método, mas para além de ser um mundo de materiais diversos, é um mundo de possibilidades de aprendizagem significativa para os nossos filhos e alunos (vendo na perspectiva de mãe e professora que sou).

O Lucas adora ajudar-me na cozinha. Lavar a loiça, mexer a comida, fazer bolos, mas nunca tinha posto tudo à medida dele.
Hoje fizemos bolachas :) A mesa estava à medida dele e, portanto, participou em tudo. Desde mexer, partir os ovos, colocar farinha, etc, até espalhar bem a massa com rolo. A parte das forminhas ele gostou, mas confesso, que adorou mais toda a confeção até esse ponto.

Sim! A cozinha ficou um caos, ele ficou cheio de farinha, porque o tabuleiro se virou sobre ele, mas o ar de felicidade e orgulho quando viu as suas bolachas a saírem do forno foi mágico.

As bolachas foram aprovadas pelo papy :) e o Lucas adorou fazer desenhos na farinha, comê-la e ainda deu ao pulga (o nosso cão) ;)

Resumindo: experiência a repetir :)