Sempre conseguimos pegar no telefone (agora, mais moderno através dos emails) e escutar os problemas um do outro, gozar com os nossos pontos fracos e fortes, aqueles caprichos que só alguém com quem vivemos durante bastante tempo compreende verdadeiramente.
Agora já não há mais risos. O carácter definitivo da sua morte, a injustiça da situação, a velocidade incrível com que tudo acontecera, tudo isso me deixara atordoada e dormente. Se bem que a dormência fosse um mecanismo de protecção. Mecanismo que desenvolvi muito cedo na minha vida. Durante uma crise, torno-me gelidamente calma e friamente racional.
No entanto, desde o seu falecimento e desaparecimento físico que me sinto à deriva. Após a sua partida tive certo que ele era o meu mais bem guardado porto seguro. Era no seu ombro que descansava, que me sentia completa. Sempre que falo ou penso nele tenho de fazer um esforço bem grande para conjugar correctamente os tempos verbais.
É verdade que sinto a sua falta dele aqui, neste mundo, a viver e a respirar, a criar, a fazer magia. Sinto imenso falta disso! No fundo acho que perdi o meu melhor amigo!!
Fora precisamente contra isso que eu tanto lutara e aquilo que temera durante toda a minha vida: o colapso da ordem, o triunfo da confusão, o pandemónio provocado pela irresponsabilidade. As várias características da minha personalidade não serviam tanto para beneficiar os outros, mas para minimizar o que mais temo: o caos.
Nem mesmo a morte abafa as vivências. Antes pelo contrário, a morte intensifica os sentimentos e as memórias.
Desde a morte dele que a sensação de perda é algo que me apavora.
Agora tem de ser hora de seguir. De deixar o passado, onde ele pertence, no passado. Bem guardado. É duro, mas tem de ser real. Agora só há um caminho possível, seguir e caminhar em frente, de cabeça erguida. Os sonhos que antes emanavam no meu sorriso ficam para depois. Agora é hora de tratar de mim, de me orgulhar a mim própria, de ser forte mais uma vez. Acho que tudo colapsou neste momento. Aqueles episódios que pus para trás das costas e segui, voltaram e colocaram-se à minha frente. Não os vou contornar, desta vez vou olhá-los de frente e enfrentá-los.
Até já...
Adorei este texto mana e sabes que eu vou estar sempre aqui para TUDO o que for preciso !
ResponderEliminarAmote