Carta para a minha Avó escrita em 1999 para um concurso de escrita. O título era "Escrevo-te para te dizer Obrigado" e eu escrevi a minha Avó e foi com esta carta que ganhei.
14 anos já passaram. Parece mesmo que foi ontem.
A ti Avó:
"Ramada, 10 de Dezembro de 1999
Tu sempre me ajudaste, vivi contigo desde os cinco anos e são os tempos de que mais tenho saudades.
Desculpa se nunca te disse obrigado, mas costuma dizer-se "só se sente a falta daquilo que temos quando a perdemos".
Sinto muito a tua falta sabias?
O nome que eu dou àqueles cinco anos é "felicidade", como eu já te disse.
Está quase a chegar o Natal e lá vai mais um ano sem ti, mais uma lágrima e...já lá vão três anos sem ti, sem ouvir a tua bela voz, sentir a tua bondade.
Parece que foi ontem, mas ao mesmo tempo parece uma eternidade, entrei pela primeira vez naquela escola ia para o quinto ano e tu a seres enterrada...foi e será sempre o pior dia da minha vida...Sexta-feira 13.
Foi o começo de uma nova vida, viver com a minha mãe estando assim mais perto do meu pai, que sonho! O pesadelo veio quando me vi sem ti, sem aquela tua voz linda, sem a tua calma quando se tratava de problemas e a tua bela e infinita paciência com o Avô, aquela que só os anjos com asas brancas têm.
Sinto a falta de chegar a casa depois das aulas e te ir ajudar a compor a fruta (eu não sabia fazer nada), mas tu com a tua calma explicavas-me como é que se fazia; de te ir ajudar a dar comida às galinhas e tu refilares comigo para eu não correr atrás delas e para não partir os ovos que eu ia buscar à caixa e os punha dentro de um balde e os levava para arrumar; e de quando ias vender a fruta à Feira das Alcobertas e eu ia a dormir o caminho todo ao teu colo; de quando eu ia almoçar e tu já tinhas tudo pronto para eu comer e o Avô me ir pôr à escola.
Lembraste quando à tarde eu chegava da escola e te pedia para me ajudares nos trabalhos de casa? Que saudades eu tenho desses bons tempos!
E daquela vez que eu estava a brincar na areia e quando o galo me picou o rabo, o quando tu te riste? Fiquei com um medo de galos que ainda não os consigo ver à frente!
Ah! Não me chegaste a dar as receitas das tuas comidas, (receitas, não, segredos). Hum! Aquelas tuas sandes que fazias para nós comermos quando íamos para a praia. Nunca mais comi igual! E aquele arroz de cabidela?
Para a planta não morrer, morreste tu!!
Subiste para onde não devias ter subido, regaste a coitadinha da planta e caíste para nunca mais te levantares.
E eu que só me despedi de ti com um simples beijo na tua face.
Foi muito triste chegar a nossa casa (sim, no fim de contas também é minha) e só poder chamar o Avô, pisar o sítio onde tu caiste como se fosse um simples chão, onde o teu sangue foi derramado.
Mas, pensando bem, talvez fosses boa demais para viveres neste mundo tão hipócrita, cruel e infeliz.
Partiste sem deixares a morada, mas queres saber? Eu descobri-a! ESSA MORADA É O MEU CORAÇÃO! E isto só para te dizer um simples obrigado, por me teres educado, ajudado sempre em tudo e sobretudo aturado!
Beijocas da tua neta e....
...já sei que nunca mais te vou
ver, mas...
CUIDA DE MIM,
POR FAVOR!"
Inês Fernandes
Nº8 8ºB
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